Mariano Campos - O Guardiã Do Arquivo - Curador
- “Trabalho aqui há tanto tempo que as histórias são minhas companheiras. Cada livro, cada página tem sua própria voz. Mas desde que eles trouxeram Ela para cá… as vozes mudaram. Algumas noites, quando estou sozinha catalogando, ouço um coro. As histórias não estão mais apenas nos livros - estão tentando escapar deles.”
- “A Dra. Pimentel fala de justiça, de libertação. Mas justiça não vem da vingança. Eu vi os olhos dela quando ela encontrou os registros do massacre de Paranapiacaba. Não havia dor ali - havia fome. Uma fome antiga que quer devorar tudo. Às vezes me pergunto se ela ainda se importa com as crianças, ou se elas são apenas meio para um fim.”
- “Sabe o que é mais assustador sobre a Arkan? Não é a crueldade deles - é como eles conseguem justificar cada ato. Cada criança em coma é um ‘sacrifício necessário’. Cada vida destruída é pela ‘segurança global’. Mas a Dra. Pimentel… ela está se tornando igual a eles. Usando as mesmas justificativas, apenas do outro lado do espelho.”
- “Os sonhos começaram há três meses. Sempre o mesmo: estou organizando livros quando encontro um que sangra. E o sangue forma palavras em uma língua que não conheço, mas entendo. ‘O conhecimento tem preço’, diz. ‘Mas quem decide quem paga?’ Acordo me perguntando se estamos todos pagando o preço errado.”
- “Ontem, uma das crianças em coma sorriu. Estava fazendo minha ronda noturna e… ela sorriu. Como se estivesse tendo o sonho mais doce do mundo. E por um momento, só por um momento, ouvi uma música. Antiga como a terra, triste como a chuva. E pensei: e se todos estiverem errados? E se Ela não for nem prisioneira nem monstro, mas algo que simplesmente não deveria estar aqui?”
Dra. Iara Pimentel - A Vingadora
- “Eles falam de proteger a humanidade, mas qual humanidade? A que massacra aldeias inteiras para manter seus segredos? A que rouba crianças de suas famílias em nome do ‘bem maior’? Eu vi minha tribo inteira morrer para que a Arkan pudesse ‘proteger’ seu precioso conhecimento. Agora é minha vez de proteger algo.”
- “A verdade não é uma coisa delicada que precisa ser guardada em uma jaula. É selvagem, é livre, é transformadora. A Mãe das Histórias não é uma ameaça - é um espelho. E se a Arkan tem tanto medo do que vê nesse espelho, talvez seja hora de quebrar o vidro e deixar os cacos cortarem quem precisa ser cortado.”
- “Quinze anos. Quinze anos fingindo ser uma deles. Sorrindo nos corredores enquanto via outras crianças serem sacrificadas como meus irmãos foram. Você acha que não sei o preço da liberdade? Eu pago ele toda vez que fecho meus olhos e ouço os gritos de 1993. Mas algumas dívidas precisam ser cobradas.”
- “As crianças em coma não são vítimas da Mãe das Histórias - são vítimas do medo humano. Ela não quer sacrifícios, quer guardiões. Não quer prisões, quer parceiros. Mas é mais fácil para a Arkan construir jaulas do que construir pontes. Mais fácil silenciar do que escutar.”
- “Ontem encontrei um dos diários da Dra. Catarina. Ela estava começando a entender, começando a ver a verdade. E sabe o que a Arkan fez? A mesma coisa que sempre faz: removeu o problema. ‘Transferida para Moscou’, dizem os relatórios. Mas nós duas sabemos que há outros tipos de silêncio, não é? Bem, logo não haverá silêncio algum. Apenas a canção que nunca deveria ter sido interrompida.”