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Background

01 - Chamas

NY - 12 maio de 1993 

A noite seguia fria naquela noite, uma tempestade se aproximava do leste. Não houvera avisos de temporal, apenas uma chuva como qualquer outra das muitas que fustigavam NY durante a primavera. Mas, há muitos nova-iorquinos que não lembrariam daquela noite como uma tempestade ou noite qualquer …

Aqueles que moravam próximos ao Central Park poderiam facilmente as luzes com aqueles relatos de um Carnaval no Brasil, ou mesmo noutros países cuja cultura envolvia o uso de tais recursos pirotécnicos para o entretenimento das massas. Estranhamente, aquele dia não era um desses, era uma quarta-feira. Muitos pensaram: - Quem faria festas assim no meio da semana?

Estes mesmos expectadores só começaram a perceber que algo havia errado quando bombeiros começaram a chegar, e o prédio todo, um dos mais antigos na orla do parque começara a desabar desajeitadamente. 

Os curiosos de plantão, e alguns pouco bons samaritanos acumulavam-se nas proximidades, recolhendo feridos, incluindo bombeiros, alguns entraram paramentados no local e saíram de lá com muito feridos, mas, para a grande estranheza de todos, os ferimentos não eram por fogo, como o esperado, mas por congelamento.

Era uma cena inexplicável, muitos ali saindo com membros parcialmente congelados, outros com o que pareciam estalactites fincadas em seus corpos, como lanças. Era uma cena bizarra no mais profundo significado da palavra.

Para a maioria dos moradores, a imagem mais marcante daquela noite não foram os fogos ou dos homens lutando contra as chamas que tomavam conta do prédio, mas a visão de uma mulher, com uma criança aos braços totalmente congelada do pescoço para baixo. 

Na visão dos paramédicos experientes próximos à ela, não havia mais nada a ser feito, a cianose já estava num grau elevado, a morte de ter sido instantânea, diziam. A mulher continuava tentando, e, para aqueles que ali estavam e acreditavam que nada mais de esquisito seria acrescido aquela noite dos horrores.

Como se assistindo um daqueles dramas do cinema, viram a mulher curvar-se sobre a criança, e após murmurar algumas palavras, um brilho estranho provavelmente algum gás oriundo do incêndio a envolveu, algo cor âmbar espalha-se rapidamente pelo gelo cobrindo a criança dos pés a cabeça, e então, como se com um passe de mágica a mulher e os demais sobreviventes daquele estranho caos desaparecem como se nunca tivessem estado ali em meio à poeira do completo do edifício.

02 - Dever

Afora as cicatrizes Henry era um jovem acanhado na maioria das vezes. Preferia estar sozinho nos livros do que com as pessoas. Graduara-se muito cedo e não havia parado de estudar, mesmo após concluir as matérias efetivas.

Gostava da USP devido à grade abrangente, as matérias eletivas eram fantásticas, formara-se em medicina e também em ciência forense. Investigação sembre fora sua paixão. Este gosto fora alimentado pela mãe, que sempre o instiga a procurar por respostas escondidas nas entrelinhas de tudo o que acontece à nossa volta.

Aos 24, já formado, decidiu prestar concurso e ingressar no serviço público. Tantas eram as possibilidades, mas, a que lhe parecia mais interessante era a da ABIN, havia de tudo um pouco por lá, era como a CIA brasileira, e, inspirado tanto pelos casos quanto por uma visão hollywoodiana da profissão, prestou concurso e passou como o primeiro colocado. Garantindo a ele, escolher onde atuar, preferiu São Paulo à Brasília, para permanecer próximo à mãe, cuja idade e escolhas do passado deixaram-na com a saúde e muitas vezes, os nervos um tanto frágeis.

Após o treinamento e auxiliando em vários casos, ele já era um Agente Experiente, suas qualificações técnicas eram impecáveis, e, vários departamentos o solicitavam constantemente para a avaliação de provas. Era uma vida agitada.

Mantivera um contato estreito com antigos mestres da USP, vez por outra era convidado a palestrar em fóruns locais.  Isso lhe rendia facilidade em manter-se atualizados com as descobertas e aquele velho, mas, importante meio acadêmico. Manter a mente ativa era importante, como ensinara sua mãe.

03 - Mensagens Na Garrafa

Henry havia concluído seu último caso, após dois anos de serviço acumulando férias, banco de horas, e tudo mas, decidiu tirar tudo. Ainda estava lidando com a dor da partida de sua mãe, assolada por um mal implacável e súbito. E sabia que precisava de um tempo de tudo e de todos.

Ele ainda não se perdoara por não ter sido avisado a tempo de vê-la no hospital, estava à trabalho, infiltrado numa gangue na cidade do Rio de Janeiro, e, não pode ser avisado para seu disfarce não ser afetado, era um momento crucial da operação e o desfecho precisava que ele estivesse totalmente comprometido. 

Nunca fora muito bom em finanças, sempre gastara proximo ao limite de seus ganhos, e poucos bens acumulara após dois anos de serviço. Diferentemente de muitos de seus amigos da agência, que pareciam ter triplicado seu patrimônio, uma sensação de que as coisas não batiam pairava em sua mente.

Uma velha Land Rover, um trailer retrô, aparatos para usar em seu trabalho, um laptop funcional, celular, camera fotográfica, era o que ele precisava para viver. E como um caramujo, gostava de levar tudo com ele sempre que possível, um homem de gostos peculiares.

Já estava a quase dois meses viajando Brasil afora, mas preferiu voltar e ficar enfurnado na mata atlântica, próximo à capital. 

Conhecera o local enquanto ajudava um de seus contatos, um guarda florestal precisava de ajuda para identificar a causa mortis de alguns animais e também de três turistas na região. Após dois dias com o guarda perambulando pela região inóspita que não pegava sinal de celular, ele ficara fascinado com o local. Lhe trazia paz.  

Voltara de uma caminhada depois de várias horas, mas, ao chegar próximo de seu trailer viu uma caminhonete parada ali. Que diabos é isso ? Pensou ele, mas nada poderia fazer, deixava as armas guardadas, estava desarmado no momento, e o homenzarrão ali não parecia muito fácil de derrubar. 

Anotou a placa, e ficou à espreita na mata. Se fosse um roubo, pegaria o safado, pensou. Mas, estranhamente o homem abrira a porta de seu trailer com muita facilidade. Olhou em volta, e depois, para sua surpresa ao invés de sair retirando o que havia de valor, ele voltou à sua caminhonete, arrastrou com muita dificuldade um pesado baú para dentro de seu trailer.

A situação não poderia ser mais estranha, mas acabou ficando, o homem saiu, olhou para os lados, fechou a porta e voltou ao seu carro. Enquanto fazia isso, conseguiu olhar bem para o homem, com lágrimas nos olhos enquanto assoviava uma canção, ele a conhecia muito bem, era uma das favoritas de sua mãe, Naima do John Coltrane … 

Quando a caminhonete sumiu de vista, voltou ao seu trailer para ver o que acontecera lá dentro. Já imaginava que estaria uma bagunça, principalmente a tranca, que provavelmente havia sido arrombada, e Deus sabe o quanto é difícil encontrar peças para esse velho Airstream adaptado.

Ao chegar, para seu espanto, viu que não havia arrombamento, nem sinal de que alguém passara por ali. Destrancou a porta com cuidado, e olhou para dentro daquilo que chamava de casa. tudo estava lá, como ele havia deixado, a excessão de um grande e antigo baú no centro de sua sala, com uma envelope amarelo, de aspecto antigo, e uma chave sobre ele …   

04 - Segredos De Família

Henry havia voltado para São Paulo, seu período de férias havia chegado ao fim, o escritório estava uma correria. O Local está fervilhando de gente de várias outras agências, ainda tentando dar uma resposta consistente ao pessoal do Poder Executivo sobre o que aconteceu ao Teatro Municipal.

O público em geral, acreditou nas mensagens oficiais de que tudo ocorrera por uma falha no armazenamento de combustível dos vários geradores alugados para os eventos daquela semana.

Para os investigadores da polícia, uma invasão seguida de vandalismo resultou no incêndio. Era uma das mais prováveis teorias, porém, ainda nem todos estavam convencidos, haviam lacunas demais.

Para a ABIN, principalmente o grupo que Henry fazia parte, descobrir se fora algum atentado direto contra um dos mais importantes patrimônios arquitetônicos da cidade de São Paulo, a identidade dos envolvidos, suas motivações e se isso haveria de acontecer novamente era um trabalho sob medida para eles.

Muito da investigação já havia terminado, cabia a Henry, apenas revisar as provas, conferir se nada havia sido deixado de lado.  E eram tantas, digitais, fios de cabelo, estátuas não catalogadas, era uma torre de babel de pistas sem o menor sentido.

Os especialistas em demolição sequer haviam descoberto como a explosão ocorrera. E, havia sangue demais no local, DNA fora colhido, mas, estranhamente, nenhum corpo fora encontrado, e, os testes de DNA que foram colhidos de todos os pacientes recentes dos hospitais não tiveram nenhuma compatibilidade.

Focou em reavaliar os testes, não imaginava que conseguiria algo diferente, e como as bases locais já haviam sido testadas, pensou em acionar um de seus contatos na Interpol, para comparar os testes que tinha em mãos.

O mais estranho é que era mais trivial esta cooperação entre colegas de agências, do que das agências propriamente dita. Para aqueles interessados mais na verdade do que na política, arranjos sempre são feitos para que as bases de dados sejam compartilhadas.

Sorriu ao ver que depois de horas de trabalho, um COMPATÍVEL pulou em sua tela. Olhava com curiosidade as informações:

DNA: Compatível

Identidade: Desconhecida

Ocorrências: 

Amostras de DNA anteriormente em cenas ligados a alguns casos, todos em aberto:

NY - 1977 - Múltiplos Assassinatos

Boston - 1980 -  Explosão em Galpão na orla da praia, múltiplos mortos.

Paris - 1981 - Atentado contra uma Catedral da igreja católica

Miami - 1985 - Múltiplos sequestros sem solução

Roma - 1992 - Atentado ao Vaticano 

NY - 1993 - incêndio e desmoronamento de um prédio ao lado do Central Park

Imagens - uma série de retratos apareceram na tela.

Henry olhava com curiosidade agora renovada, nunca tinha visto tantas incidências, e ainda, variadas, de um indivíduo. Começou a observar os desenhos e alarmou-se com a similaridade de alguém que conhecia, aqueles olhos, a cor do cabelo mudara várias vezes, assim como o tipo, mas toda as descrições lembravam inegavelmente alguém que conhecia desde sempre, sua mãe.

Aturdido com a ideia estranha que surgia em sua mente, passando por várias etapas. A princípio negou tudo, mas depois, começara a lembrar-se das inúmeras vezes que viajava com os pais e daquelas as quais ele ficara com algum amigo da família, para seu horror, todas as datas e locais batiam.

Voltou a avaliar as provas, havia DNA em dois lugares, no subsolo, no lugar próximo ao epicentro da explosão, e num dos elevadores de acesso ao porão.

Avaliava todas as provas novamente, primeiro o DNA, depois as fotos, e para seu espanto, uma das fotos tiradas pelo sistema de câmeras da portaria tinha a foto de uma jovem mulher, apresentada como assistente da Dra. Fey, as feições feições similares às descrições da estranha mulher envolvida nos casos em aberto de muitas agências pelo mundo.

Encaminhou a foto digital da moça para o amigo da Interpol, pediu para ele utilizar seus softwares de reconhecimento comparado, um dos mais precisos do mundo, pois avalia não somente a similaridade atual, como também, retratos falados, possibilidade de disfarces, mudanças oriundas de cicatrizes do envelhecimento, etc.

Continuou a avaliar o relatório, na última linha algo já esperado apareceu:

Status: Alvo de Alta Prioridade 

Recomendações: Informar as autoridades imediatamente e evitar aproximação, se fizer, executar com extrema cautela - Alvo possivelmente perigoso.

Henry já estava passado com as informações e não conseguia parar de ler, até que, o amigo lhe respondera, não por e-mail criptografado e particular, mas por chamada de vídeo, o que não era habitual entre eles.

  • Henry, tudo bem? Que brincadeira é essa que você me mandou amigão ? Voltou a jogar aquele lixo de RPG ? Confundiu meu e-mail com algum de seus amigos ? - Bravejava o amigo, não havia raiva em sua voz, era apenas seu modo de ser.

  • Não ! Respondeu Henry, com um sorriso amarelo para o amigo de longa data. - Conta aí, o que você descobriu.

  • Cara, essa mulher é osso duro, de onde você desenterrou isso? Aquilo ali era uma Maserati 2018 ? Deve ser algum tipo de montagem ou anomalia no software, as fotos da mulher combinam com vários retratos-falados que aparecem mundo afora nos últimos 50 anos. O software confundiu com um atal de Laura Alves de Albuquerque com apenas 26 anos e que encontra-se desaparecida.

  • Ah, esquece, deve ser uma anomalia mesmo ou pegadinha da galera aqui, estou voltando de férias hoje, sabe como são estes velhacos aqui. Mentiu descaradamente Henry para o amigo. 

Ambos riram alto, e logo trocaram de assunto, depois continuaram conversando sobre a vida, Paulo havia entrado na Interpol depois de ter passado muito tempo na ABIN, e um tempo na PF. Queria levar a família para outro país, e achou esta oportunidade perfeita para tal. Estava lá há um ano. Enquanto na ABIN fora um dos mentores de Henry, dos melhores ele repetiria até o fim de sua vida.

Henry já estava organizando as coisas para sair, a noite avançara, todos já haviam voltado para suas casas ou parado em algum boteco para beber com amigos do trabalho.

Um último bip soa em seu monitor, uma última busca e demorada busca havia terminado, ele havia até esquecido de desligar o software de comparação ainda do kit de provas atrelado à estranha mulher:

DNA compatível: Ligação provável: Filho - Henry Allen Lopez - suas fotos e demais informações pessoais brotaram na tela.

Henry olha para o resultado boquiaberto, instantes depois, outros dois bips, os outros três testes aparecem na tela, todos com o mesmo e intrigante resultado. Ele tinha o costume de sempre testar sempre três amostras para a mesma coisa, mitigando o risco de ser contestado num possível tribunal se necessário. 

Avaliou cada possível situação que surgiria daquela linha de investigação, sabia que a sua ligação às provas, mesmo que indireta, o tiraria do caso, então, sua última ação antes de sair do escritório foi apagar o histórico de buscas de seu computador. Alguns segredos são apenas para a família, pensou. Quando desligava o computador, agora sem registros de seu trabalho naquela noite.

Ao chegar em seu trailer, sentou-se no sofá, abriu uma garrafa de bourbon barato, colocou um jazz na vitrola vintage. Abriu olhou de relance para o pesado baú e para a carta que não havia aberto ainda. Pensou também no robusto homem e suas possíveis motivações que o levaram a encontrá-lo no meio da floresta e entregá-lo. 

Muitas perguntas giravam em sua cabeça, por quê havia DNA de Amanda Allen Lopez (sua mãe) no Teatro Municipal e como a tal de Laura Alves de Albuquerque poderia ser idêntica à sua mãe quando jovem?

Precisava de respostas para o que aconteceu no Teatro Municipal, mas, algo em sua mente o avisava que a busca de respostas começaria em algum lugar do passado, de seu passado e a jornada haveria de começar ali, na carta sobre o baú antigo diante de si.

Mensagem De Aviso De Ausência - (e-mails Ou ligação)

Olá, tudo bem ? Sei que você já percebeu que não estou disponível, porém, não perca as esperanças, eu retornarei à ligação ou e-mail assim humanamente possível. Se você ou alguém que você ama está nas últimas, lembre-se que só atendo amigos, se não é um, procure um hospital urgentemente. Se é para efetuar uma autópsia, o que é bom pois não há risco de morte, lembrando que não é pessoal, mas, retornarei a ligação assim de cuidar daqueles que ainda estão vivos . .

Diários Da Crônica

05 - A Mulher De Sangue Gelado

Enquanto Henry já estava quase terminando seu plantão, uma de suas últimas pacientes fora uma jovem de nome (XXX), acompanhada de um homem chamado Joaquim XXX. 

A mulher foi tratada de cortes na parte superior do tórax, alegara ter se cortado com um espelho, o que confere com o tipo de ferimento. A história parecia vaga, porém ela não quis entrar em maiores detalhes.

Um estranho fato chama atenção do médico, a temperatura do sangue era incomum, sua curiosidade falou mais alto, e, mandou parte do sangue para análise afim de identificar possíveis anomalias para a estranha anomalia.

06 - Amigo É Para Estas Coisas

19:30 do 04 abril 2020

Henry liga para o Marcos, um amigo antigo, Delegado da Federal, da área de T.I.

Após conversarem sobre um possível encontro num bar chamado, Bar Berlim para que Marcos apresente algumas das descobertas acerca do alvo que Henry pedira para investigar, um novo pedido de Marcos cai no colo de Henry.

O amigo quer que ele observe o local, e encontre a pessoa cujo rastro digital leva até um vazamento em seu data center.

Não é um trabalho complicado, pensou Henry, que aceitou após degladiarem-se um pouco com animosidades, padrão de comunicação entre os velhacos amigos.

19:40

Ao chegar no local, descobre que é um condomínio dos caros, fortemente vigiado, fruto de uma Sampa cada vez mais violenta. 

O amigo sugere alternativas bizarras como: xavecar os seguranças, entrar pela lateral, e mais um monte daquelas ideias típicas de girinos que só alguém que tem passado tempo demais diante do PC pode sugerir.

Por fim, Marcão algum Apartamento via Airbnb, garantindo o fácil acesso ao prédio.

Henry tem acesso ao condomínio, e logo avança para o que parece ser a cobertura de uma das torres. 

Ao que parece, o amigo Marcão, quer fritar tudo que há de eletrônico no apartamento, garantindo que o que foi hackeado seja destruído juntamente com eles.

Henry protesta, dar uma de migué não é seu forte, mas, favores do Marcão sempre, invariavelmente lhe colocam em enrascadas, mas afinal, amigo é para estas coisas …

07 - A Ingênua Garota Dos Três Gatos E Seus Muitos Mistérios

19:55 …

Henry toca a campainha, e aguarda, no fundo torcendo que não tenha ninguém no local. Assim, não teria que dar uma de João-sem-braço aquela hora da noite depois de um dia de plantão e a noite fecharia com chave de outro e com R$ 300 a mais no bolso. Pagar as antigas dívidas era algo que demoraria um tempo.

Mas a vida lhe reservara outras direções. Uma garota de seus pouco mais de vinte e cinco anos, de olhos castanho escuro e sua pele morena (jambo), adornados por cabelos volumosos num castanho escuro,  lindamente ajustados num corte curto passavam um ar sóbrio e leve. Alguém de bem com a vida e a natureza pensou.

Ela estava vestida de forma despojada, confortável, de moleton e uma camiseta “Go Vegan !!!”, denotava claramente ser alguém de opiniões fortes e sem medo de expressá-las. Achou interessante, sentia-se bem com pessoas assim, seu oposto, aqueles que sempre escondiam algo, lhe deixavam desconfortável. Sua mãe sempre fora assim, mantendo alguns aspectos de sua vida ocultos até mesmo quando ele tornou-se um homem formado, jamais a entendera.

Recuperou-se de súbito das lembranças de sua mãe, esforçou-se para fazer uma cara de sério e reconectou-se ao momento.  Precisava concluir o favor ao amigo.

Não havia tempo, começou a soltar palavras rápidas, contundentes acerca do motivo que o levara ali. Sabia, desde pequeno, que a melhor forma de mentir é intercalar algumas mentiras no meio de muitas verdades, e assim o fez.

Concentrou-se em ignorar o magnetismo que sentia pela mulher de opiniões fortes à sua frente e desembestou a falar.

Alegou ter sido enviado em um assunto de alguém da Polícia Federal, o que não era mentira, e corroborava isso mostrando o emblema da Polícia Federal. Cuidou para bloquear a parte onde descrevia-se sua função, Ativo - Consultor Técnico Legista, ele achava que um legista cuidando de assuntos ligados à TI na residência da moça aquela hora era uma lorota que nem mesmo ele conseguiria passar sem ser descoberto.

A garota começou a falar, sem pensar muito em suas palavras, ou recusar-se de compartilhar aquilo que sabia. Henry a avaliou com cuidado, para prever uma possível mentira, logo percebeu que a grande maioria da história era verdade.

A garota trabalhava na Embraer, era gente do governo, como ele. Sabia que a vida numa estatal daquela não seria fácil, um ramo competitivo como poucos. Ela contara uma história, de um arquivo recebido, como sendo uma piada, e falava de coisas estranhas contidas no arquivo.

Não precisou forçar a entrada, a desculpa de algo sério estar acontecendo, que não era mentira, foi suficiente. A moça achou entranho, mas não o enxotou de cara. Ele andou pela sala, o sensor de conexão que marcão mandara para seu celular apontava que aquele certamente era o local. Não havia nada a fazer, pensou consigo, ligou para o amigo, e este confirmou que o alvo fora travado. Tudo seria acabaria rápido.

Foi então que viu os arquivos sobre a mesa, de início, realmente pareciam uma brincadeira, até que viu uma foto que fez seu coração acelerar. Tinha algo ali, alguma ligação ao caso em que estava investigando, a foto, a foto da mesma mulher cujas feições combinavam com as de sua mãe que estava impressa ali na mesinha de centro.

Passou as mãos pelo rosto e topo da cabeça, sabia que não tinha tempo. O sorriso que percebera na voz do Marcão, junto com a bravata de “- Depois de dou um celular novo …” , agora sabia o que o amigo dizia com “fritar”, começou a tentar tirar a bateria do celular e começou a falar rápida e desesperadamente para a garota dos gatos:

“Srta. se você gosta de seus computadores, desligue-os agora, retire da tomada, baterias, tudo que possa fazer com que eles fiquem totalmente sem energia … “

A moça relutou um pouco, mas, ao ver o estranho homem à sua frente fazendo o mesmo com o próprio celular, num angústia visível ao não conseguir de primeira, decidiu correr para o quarto para desligar o caríssimo PC Gamer de última geração.

Assim que terminou de desligar seu celular, correu para desligar o caro notebook que estava no sofá, a moça voltou no exato momento em que retirava a bateria.

Por um instante, a energia oscilou, ruídos de chips fritando foram ouvidos pela casa inteira, do aparelho de som, passando pelo fogão e terminando pela cara geladeira daqueles modelos com telona cheia de receitas, lista de estoque e conectado à Internet. Agora, tudo estava acabado e apenas uma substituição completa das placas-mãe poderiam restaura seu funcionamento. 

Calmamente, Henry religou o celular e ligou para o Marcão, concordou com a frase do amigo de que tudo terminara, e logo começou a ralhar amistosamente com o amigo, dizendo que a garota nada sabia, que era uma piada e que ela deveria ser ressarcida de todos os danos. 

O amigo, estava de bom humor, pensou, relutou um pouco, mas concordou em acessar os sistemas da concessionária de energia de Sampa, a ENEL, e inserir a lista de ítens para serem repostos, como se uma descarga da rede tivesse queimado tudo, o que a colocaria na abrangência do seguro da empresa, nenhum prejuízo, além do incômodo.

Para disfarçar a aflição de quase ter perdido a chance de avaliar os arquivos, desabou no sofá, pegou os documentos com as próprias mãos, avaliando na ordem, para não dar na telha seu real interesse. 

Agora podia tocar o os documentos com a foto daquela jovem mulher, cujas feições e marcações de identificação batiam exatamente com os de sua mãe, ainda não sabia o motivo, e até aquele momento não havia descoberto nada sobre ela, ficava receoso de passá-la pelo software de identificação, então, ali, diante do que haveria de ser uma piada, um arquivo secreto antigo, oriundo do trabalho de uma agência aparentemente governamental estadunidense a foto brotava diante de si.

A mulher lhe olhava evidentemente furiosa, mal haviam se conhecido e todos os eletrônicos de sua casa, ela como ele, viram o drone passar diante das janelas. Tudo apagara numa noite sem nuvens ou chuva, não havia uma outra forma do homem à sua frente se safar, nenhuma lorota do mundo a convenceria de que tudo aquilo havia acontecido devido à entrada do estranho em sua casa.

Henry fica sentado no sofá, começando à ler os documentos, para fugir um pouco da assunto, começa a questionar a jovem sobre as estranhas coisas que lera, e, se havia passado tal arquivo para mais alguém.

O estranho homem ali sentado tem a audácia de sugerir que ele vá até a cozinha, para fazer-lhes um chá, para acalmar os ânimos e poderem conversar de uma forma civilizada. A mulher, novamente explode em críticas, alegando que nem mesmo seu fogão, um coock top daqueles de indução ultra modernos, jazia morto, com os eletrônicos queimados. Henry disfarça e volta sua atenção para os questionamentos à moça.

A moça a princípio mente, alegando a ninguém ter encontrado, depois, pensando bem e evidentemente preocupada com a possível ameaça aos que lerem o arquivo, revela que enviou-o para outros dois amigos hackers. Um tal de João, e um outro chamado Hugo.

Ela agora pudera perguntar o nome à meça, Beatriz, o nome combinava com a pessoa. Ela agora contava detalhadamente como aquilo viera a chegar em sua posse.

Henry, evidentemente preocupado, implora que ela apague as cópia enviada ao amigo, para protegê-lo de possíveis represália ou mesmo da curiosidade que poderia tomá-lo ao se deparar com o estranho arquivo.

Beatriz reluta, alegando não ter tempo. Havia acabado de receber uma chamada da ex esposa de um amigo, e, ela também estava tentando contatá-lo, sem sucesso. A mais de uma semana. Haveria de seguir para um bistrot no bairro da Liberdade que o amigo sabidamente adorava frequentar. 

Em meio ao impasse, Henry decide acompanhar Beatriz, servindo de motorista de modo que ela possa optimizar seu tempo, apagando invadindo e apagando o arquivo do PC do amigo Hugo.

Ele pega os arquivos impressos e guarda-os em sua mochila, sabia que ela não se importaria, a mentira deslavada que não havia ao menos outras duas cópias não lhe passara despercebidamente.

Enquanto saem, ele envia uma mensagem para o amigo Marcão, alegando que ficaria no ArBnB por uns dias, sabia que o dinheiro não saia do bolso do amigo, e toda a aspereza fingida era parte da estranha dança de insultos que só amigos velhacos dispunham-se à dançar sem medo de ferirem-se mutuamente. O homem ao telefone ri, acha que o jovem “se deu bem” com a garota dos computadores, e alivia o caro aluguél, uma indulgência ou mesmo uma cumplicidade incomum ao gênero.

08 - O Carro Que Só Falta Mugir E a USS Enterprise

A moça se assusta ao ver que o homem, outrora enérgico, agora lhe oferecia um dos braços para que ela atravessa-se a rua, como um cavalheiro de outros tempos. Uma buzinada, não daqueles de trânsito, mas aparentemente de alguma conhecida ou vizinha chegando ao prédio. O homem evita notar que a moça ficara um tanto desnorteada à ser pega no flagra com ele, mas jamais admitiria que isso o divertiu profundamente.

Beatriz concorda em ir no carro do estranho, sem imaginar o motivo de confiar entrar no carro de um completo desconhecido. Ao passar, por vários carros caros, imaginando o que o estranho homem que alegara, no que pareceu um deslise, ser médico, imaginava tudo, menos uma antiga Land Rover do século passado. Tão suja por fora quanto era possível, as crostas de barro e poeira denotavam que o carro só era lavado quando chovia.

Para sua estranheza, o interior do carro estava impecavelmente limpo, parecia algo saído de um museu, a não ser pelo aspecto exterior. Aparentemente não havia nada de eletrônico ali, tudo era analógico. Algo chamara a atenção da moça, e uma repulsa evidente ao entrar no carro, os grandes bancos de couro tratado, o teto de camurça era demais, totalmente incompatível com a sua ideologia. 

Para a estranheza de Henry, a jovem bufou com uma mistura de nojo, raiva e insatisfação. Alegou que não entraria num carro feito de tantas partes de animais. Henry a olhou, admirado, mas aceitou, sugeriu ela ir na parte de trás, onde não havia nada de animal. Ela recusou-se veementemente e sugeriu irem no carro dela.

Henry, que sentia-se devendo mais do que poderia para uma única noite, aceitou de bom grado fazer a vontade daquela curiosa garota dos três gatos. Pediu um instante, colocou sua mochila de ataque dentro da mochila tática, não imaginava-se andar por aí sem ela, principalmente quando não conhecia seu destino. Levou o Ônibus para frente da guarita do condomínio. Um agrado ao guarda para ele ficar de olho em sua viatura, era um pouco mais seguro.

No subsolo do prédio, para a estranheza da moça, Henry abre a porta de trás do carro, do passageiro, colocando-se numa estranha posição de chofer. Ele era assim, a segurança e o conforto da moça haveriam de vir em primeiro lugar. 

Quando o homem senta atrás do volante, logo percebe que sequer havia onde colocar a chave, apenas um botão de “Ligar”. Evidentemente sente-se desconfortável. Aperta o botão e algo surgido de filmes de ficção surge diante de seus olhos. Uma tela de quase 10´´ só falou lhe servir um café, pensou. 

O desconforto só aumentou quando a jovem pediu para ele colocar o endereço no GPS, e ele, pegou o próprio celular… a moça uma geek de mão cheia, já percebeu de cara que o homem à sua frente, apesar da pouca idade, aparentemente não tinha o menor tato com tecnologia. Riu e falou para ele usar o avançado computador de bordo.

O SUV Hyundai 4x respondeu rapidamente, começando a ditar ordens sem parar, numa voz monótona e insensível, embora Henry achou claramente que nalguns momentos em que errava mais de uma vez a rua de entrara uma certa irritabilidade na voz feminina do GPS, criticando sua falta de habilidade em dirigir o avançado veículo.

Por fim, Beatriz conseguiu apagar com sucesso o arquivo, e Henry conduziu o carro até a liberdade, não sem antes acertar uma lixeira e amassar um pouco a lataria lateral do carro. Sabia que a jovem estava concentrada de mais para ter percebido, mas um estranho senso de honra o impedia de tomar proveito de sua ignorância ao fato, e avisou-a de seu deslise. Naquele momento, sabia que o pouco que havia ganhado naquela noite havia se exaurido quase totalmente, o martelinho de ouro a domicílio sairia de seu bolso, mas estava feliz por não ter que pagar a provavelmente cara franquia do carrão importado.

09 - Estranhos Encontros Num Bistrot Qualquer

21:43 04 abril 2020

Por fim chegamos, ilesos a não ser por meu bolso, ao bistrot na Liberdade. O local era evidentemente bonito e bem arrumado, daqueles em que se pode levar alguém para impressionar sem medo de achar coisas estranhas no prato.

Beatriz e Henry entram calmamente no local. Ele de olho em tudo, avaliando cada indivíduo que ali estava, com um olhar perscrutante fitando-os como se estivesse olhando o cardápio. Logo percebe, alguns ali com aspecto “profissional” e lhe vem à mente inúmeras ideias loucas, mas, concentra-se na jovem ao seu lado.

Ela, não disfarçou o susto ao ver o notebook do amigo, ali numa das mesas, vazias e sugere que talvez o amigo estivesse no banheiro. Ele, compreendendo aflição da moça, a conduz a uma das mesas, onde a visão periférica de todo o bar era melhor, e deixava-a de cara com a mesa com o notebook, e avisa que vai ao toilet. Em sua cabeça procuraria o amigo e se paramentaria, havia ao menos três pessoas ali que estavam de serviço, e não aproveitando as delícias da Liberdade. 

Adentra no banheiro, havia alguém ali, mas estava na reclusa, fez o mesmo, entrou em uma, vestiu o colete a-prova-de-balas, posicionou os coldres, e todos os seus apetrechos. É melhor sempre estar preparado, como o Rodrigues sempre diz. 

Ao sair, se depara com um homem alto, de pele negra, barba bem feita, a cabeça raspada, e muito elegante. Algo nele lhe chamava a atenção, e logo se lembra do nome do Homem, Gabriel, um Psiquiatra famoso por tratar com sucesso celebridades e casos controversos. Lembrou-se de tê-lo visto, quem sabe num dos eventos do Carlotti, reitor da USP. 

Começa a puxar papo com o homem, perguntando-lhe acerca da melhor faculdade, USP, Mackenzie ou Cambridge, o homem responde com orgulho USP, logo vê que é um dos seus. Falam rapidamente por suas turmas, o homem de olhar arguto responde educadamente e convida Henry, para o espanto do jovem, a sentar-se com ele.

Henry prontamente aceita, caso o homem não se importe em sentar-se com mais uma pessoa que o acompanha.

Acho voltarem para a mesa, encontram uma Beatriz aflita pela demora, e ela assusta ainda mais ao ver que o homem que voltara com Henry não era seu amigo e ainda pegara o notebook que conhecia e sentava-se agora, todos na mesma mesa.

Gabriel começa a conversar com Beatriz como se a conhecesse, esta se assusta, e começa a falar sobre o notebook, evidentemente uma mulher sem papas na língua, pensou Henry.

Henry se incomoda com a situação em volta, pergunta ao homem se aqueles que homens que estavam ali eram aliados ou inimigos, o homem responde exclusivamente: os dois.

Os agora, aparentemente identificados como seguranças de Gabriel, começam a fechar o Bistrot, não antes de Henry perceber um homem do lado de fora, do outro lado da rua, vira sua imagem no relatório impresso por Beatriz, a anomalia Ritzzo. Nada comenta, para que a ideia de que conhecessem o arquivo fosse revelada ao estranho homem que acabaram de conhecer.

Gabriel começa a contar que trabalha com João, amigo de Beatriz, e este estava desaparecido, e este motivo o preocupara, pois, muitos de sua organização haviam desaparecido nos últimos meses, e assume um pouco de seu remorso, pois, não dera a atenção devida, por estar cuidando intensivamente de um tal de Theo.

Ele questiona a veracidade da amizade entre Beatriz e João, pedindo que ela desbloqueie o notebook do amigo, ali, na frente dele. O que ela faz, sem demora. O homem que agora acreditara nela, convida-a a ajudá-lo a também desbloquear o computador de trabalho, que fica em sua mansão.

Henry também é convidado, após tratar rápida e eficazmente Gabriel. Ele alega estar sem sua medica. O jovem se prontifica a auxiliar, informando que também é médico forense e que atende em campo. Mas ao sugerir acompanhar Beatriz ao interior da mansão é barrado pelo homem, obtendo apenas autorização para entrar nas dependências do terreno e ficar do lado de fora da mansão.

Gabriel mostra uma lista de seus contatos desaparecidos, Henry rapidamente memoriza os nomes, e dos nomes ali, reconhece o de um Arcebispo Chavez Hernesto Rosa, e prontamente avisa o homem, sendo sincero. 

Nota (Mental e depois escrita):

Iara Santos

Catarina Aragão Petra

Laura Albuquerque

Melissa Becker

Artur Becker

João Miguel

Chavez Hernesto Rosa

O homem conta mais alguns casos, de que seus amigos tem desaparecido nos últimos meses, e que teme que o mesmo tenha acontecido à João, para horror de Beatriz.

Após combinar com ela uma ida a sua mansão, para tentar desbloquear o amigo, o homem avisa aos demais, ali presentes que vão começar a trabalhar num esquema de meia-equipe, pelo que entendi, ou meio turno. E se despede dos jovens sentados à mesa, deixando dois atônitos ali, com tantas informações e mudanças.

Henry recebe uma ligação de um velho contato, o Dr. Akira Nigima, um famoso legista, ele pede uma segunda avaliação do laudo de um certo Chavez Hernesto Rosa, morto de forma estranha. Coincidências não existem, pensou, com a cabeça a mil pensando nos próximos passos.

Após perceber, que ali não seria um bom local para conversar com Beatriz, começa a preparar a saída do local. Paga a conta, compra duas águas Perrier para a moça que mal tocou a água após a estranha conversa. Para seu divertimento, percebe que a garota do caixa, interessou-se por Beatriz, e decide fazer a ponte entre elas e ver o que acontece. Instantes depois, observando de longe não pode deixar de notar que Beatriz aceitara o bilhete com o telefone da moça, naquele momento, sentiu algo dentro de si, seria uma pontada de inveja da moça do caixa? Não, pensou, não posso e não vou misturar trabalho com prazer pensou. Mas estava, sem saber, mentindo novamente para si mesmo.

10 - O Corredor Escuro

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As ruas estavam estranhamente vazias, apenas alguns minutos após termos saído da liberdade já nos aproximávamos do complexo do Hospital das Clínicas. Considerado uma referência no campo médico, o HC era distribuído em vários prédios, interligados, em sua grande maioria por grandes corredores, alguns destes, no subsolo.

Dirigindo o SUV de Beatriz, estacionei próximo a entrada do prédio onde era operado o necrotério, um dos maiores da cidade. Ao manobrar, percebemos que havia uma comoção grande no edifício do Pronto Socorro, havia muita gente na porta, alguns machucados, outros, acompanhando. Ambulâncias se acumulavam no local.

Achei estranho, logo pensei que ocorrera algum acidente, e foquei no meu objetivo, à frente.

Ao chegar na portaria, fomos atendidos pelo recepcionista, o sr. Rodrigue, que me atualizou sobre algum tipo de evento que ocorrera numa das importantes avenidas da cidade, envolvendo hologramas de última geração, que assustou muitos, causando acidentes de trânsito, síncopes e uma enxurrada de atendimentos de acidentes menores. Segundo ele, algum cineasta estava rodando a filmagem de um novo filme e queria mais realismo, contando com transeuntes como parte do figurino. Parece que deu muito errado (pensei). 

Ofereci-me para ajudar no PS, caso necessário, Deus sabe o quanto as vezes é corrido quando chegam muitas vítimas simultaneamente, então, toda a ajuda geralmente é bem-vinda. O Dr. Nelson, chefe do PS, seria informado da minha presença ali e decidiria se precisariam de um par de mãos a mais.

Bati um bom papo com ele, e ele permitiu que Beatriz me acompanhasse no subsolo, o Corredor Escuro, como chamavam. O estranho corredor ligava vários dos prédios do complexo, e o principal objetivo do mesmo era demasiadamente funesto, pois, servia para transportar os corpos dos pacientes longe da vista de todos.

Beatriz, havia colocado a pastinha de cânfora, para mitigar um pouco o cheiro exalado pelo local, uma mistura de cheiro de morte e produtos de limpeza pesados. Ela avançava séria e decidida. Confesso que fiquei um pouco intrigado, não parecia em nada a praia da Garota dos Gatos, porém, ela estava decidida a não vacilar, algo a motivara, será que o nome da lista ? (pensei). 

Quando já estávamos fundo demais para avançávamos, mais estranho o lugar parecia, até um pouco mais abandonado do que eu me lembrava. Luzes piscando, ruídos estranhos, provavelmente das inúmeras tubulações, fazia com que o lugar aparentasse  aquele clima de filme de terror dos anos 80. Apesar de acostumado com necrotérios, gostei menos de minha profissão aquele dia.

Nos corredores, encontramos a Dra. Patrícia, ajudante do Dr. Akira Nigima segundo Rodrigue. Ela estava orientando sobre a organização de vários corpos, que infelizmente não pararam de chegar, algo ligada as estranhas projeções.

Ela educadamente nos informou que o Dr. Nigima estava na Sala 4, que geralmente é usada para fins estudantis. Eu e Beatriz, seguimos adiante, após trocarmos algumas palavras com a Dra. Ela estava corrida, cansada e ao que parece precisava de assistência (pensei).

A sala número 4 estava a nossa frente, senti um frio na espinha, por um instante me avaliei, qual o motivo disso? Já havia participado de mais autópsias do que poderia me lembrar, por quê esta haveria de ser diferente, então me lembrei, esta realmente não era mais uma, era a primeira autópsia que Beatriz assistiria em sua vida, e isso, definitivamente ela nunca esquecerá. Franzi um pouco o cenho, objetando a mim mesmo por trazê-la àquele local. Bati numa das portas, esperando ser autorizado a entrar. E logo que recebi a autorização, abri as frias portas duplas revestidas de inóx. Um momento triste, pensei, Beatriz jamais olharia para alguém da mesma forma, mudamos um pouco depois que vemos do que realmente somos feitos por dentro, o romantismo esvai-se para sempre.

11 - Causa Mortis: Desconhecida

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O Dr. Akira Nigima estava ali, concentrado em seu trabalho, mas ouviu-me bater à porta, permitindo-nos a entrada no seu santuário mórbido.

Beatriz olhava tudo com ansiedade infantil, mas se recompôs quando o Dr. Nigima veio nos cumprimentar. O home, asiático, beirando provavelmente pouco mais de 30 anos, forte, bem apessoado, passava um ar de dignidade, rara hoje em dia. Trocamos algumas palavras, deixei Beatriz numa mesa, contendo vários relatórios, isso aguçará a curiosidade da hacker e fará com que ela não olhe muito para a autópsia, pensei.

Notas do diagnóstico: 

Geral

Estado do Corpo -  Intacto: o corpo externamente está intacto, não há sinais de ossos quebrados, desmembramentos ou quaisquer dano severo que danifique as silhuetas ou cause deformidades.

Estado da pele - O corpo apresenta desidratação severa e extrema falta de minerais: Olhar para aquele corpo me fez pensar quantas privações haveria de ter passado ou o que poderia ter causado aquela desidratação tão perceptível ainda é um mistério, fosse uma doença ou algo infligido, deveria demorar um certo tempo para que aquilo ocorresse.

Informações Adicionais: Todo o corpo apresenta resposta à luminescência ultravioleta, exceto a marca do crucifixo no tórax: Eu já tinha visto autópsias onde a grande quantidade de sangue ou demais fluidos faziam que a cena do crime e os corpos adquirissem resposta à exposição ultra violeta, porém, nunca tinha visto algo daquela forma, era como se todo o corpo tivesse sido mergulhado nalgum fluído. Estranhamente o corpo estava limpo, como se tivesse sido limpo, muito bem limpo. Espero que os exames dos tecidos, como pele, revelem o que causou o destaque na luz.

Tórax 

Cavidade Corporal: Não bastasse as estranhezas anteriores, a parte interna do corpo revelava um interior da cavidade corporal necrosado. E isso era estranho demais, dado o tempo passado da morte, o local ao qual fora encontrado. Nenhuma bactéria haveria de causar tanto dano, como ele estava naquele estado ? Dr. Nigima acredita que a estranha necrose possa ser a causa da morte, acentuando a situação dos órgãos. Mas o que levou à necrose é algo que talvez apenas os exames laboratoriais podem revelar. 

Órgãos: A avaliação e peso de boa parte dos órgãos não foi possível, os mesmos encontravam-se em avançado estado de liquefação, incompatível com quaisquer um dos fatores e tempo decorridos do local e estado em que o corpo fora encontrado. Nunca vi nada parecido, nem mesmo em corpos desovados em fossas sépticas. É uma visão horrenda, principalmente se a conjectura do Dr. Nigima estiver certa e tal liquefação deu-se com o homem ainda vivo.

Marcas antigas na pele: uma em formato de crucifixo, similar a uma queimadura: Do lado esquerdo, próximo às costelas, uma marca notável no peito, como se de um crucifixo com a parte central extremamente alongada, e estranhamente alongada, como se o corpo tivesse sido marcado com o objeto quente derretendo. Não consigo imaginar o motivo, nenhum objeto fora encontrado com o corpo para a comparação.

Tatuagens:  sem sinais de quaisquer tatuagens ou inscrições pré ou post mortem: Achei estranha a solicitação de Gabriel acerca de possíveis pentagramas desenhados ou marcados no corpo, mas, não seria de todo estranho, caso a morte tivesse sido feita por questões ritualísticas. Deus sabe o quanto homens da Fé sofrem abusos em algumas situações, e, se mesmo um membro qualquer da igreja poderia ser alvo em alguns países, imagine um arcebispo. 

Membros:

Inferiores - sinais de que a vítima fora amarrada nos calcanhares:  Dada a profundidade dos hematomas, é provável que tenha sido torturada violentamente, pois, não vejo outra forma do velho homem ter marcas tão profundas, como se tentasse escapar ou se retorceu durante alguma convulsão causada por uma dor lancinante.  

Superiores - sinais de que a vítima fora amarrada também pelos pulsos: Além das marcas dos calcanhares, os pulsos também sofreram demasiadamente com hematomas. 

Outras:  cicatrizes mais antigas nos antebraços, aparentemente sem relevância com a morte, porém de estranhos aspectos. nota adicional: verificar se havia algum histórico de acidente prévio no prontuário da vítima.

Cabeça

Boca e laringe - pretas, em estado mediano de necrose: Estranhas marcas de necrose na boca, não tão avançada como nos órgãos e cavidade corporal, mas algo ali revela, quem sabe a origem do fator necrosante ? Algum tipo de agente químico ou veneno poderia ter causado isso após ter sido ingerido e misturado-se com os líquidos digestivos?

Cérebro: - aspecto e formato normal, sem edemas porém, veias anormalmente enegrecidas: Os maiores vasos apresentam-se negros, como se o que causou a lesão nos órgãos do tórax estivesse se espalhado para o cérebro.

Evidências

3ª Prova: Autópsia De Arcebisto Xarves Ernesto Rosa

3a - Pote contendo líquido preto da cavidade corporal;

3b - Fotos do corpo;

3c - Amostras de tecidos: pele, órgãos, ossos;

3d - Amostras de sangue, fluidos, cerebrais, bexiga, urina, fezes e supor das glândulas sudoríparas.

Sobre a cena do crime

Encontrado no terraço de um prédio: Endereço do Morumbi.

Vestindo

Nenhuma informação relevante sobre objetos encontrados com ele.

12 - Intervenção à Moda Vaticano

Enquanto eu a o Dr. Nigima estávamos efetuando a autópsia, uma batida à porta nos interrompeu, homens estavam ali acompanhando uma mulher, que não era desconhecida, Jéssica, a paciente da manhã anterior, com estranho sangue frio, estava ali.

Dr. Nigima, que parecia um tanto desconcertado com chegada da mulher e outros homens em sua sala preferida do local, a princípio não se abalou. Avisou que estava ocupado e que ainda não havia concluído seu diagnóstico, e qeu ela não tinha jurisdição sob seu trabalho.

Jéssica o interrompe, de forma um tanto abrupta, indicando que estava ali com autorização do alto escalão na hierarquia médica, provavelmente não apenas do HC, mas também do próprio estado. Ela estava ali à mando da Pontifica Igreja Católica de Roma, e isso tem um peso político e de influência maior do que a maioria dos mortais.

Ela e Nigima saem da sala, para discutirem. Não era de se imaginar quem venceria este embate, o bom Dr. já havia sido vendido por seus superiores. 

Enquanto isso, receoso de perder a chance de obter respostas daquele estranho homicídio, pego todas as provas, coloco numa maletinha forense e a escondo na bolsa de Beatriz, na esperança de que ao menos ela não fosse revistada.

Beatriz ficara à porta tentando ouvir a conversa, e pelo que me contou depois, o Dr. Nigima fora ameaçado de uma forma não muito velada, e cedeu o direito à autópsia bem como também às provas extraídas do corpo.

Um grupo de homens, adentrou à sala trazendo um esquife de vidro negro. Enrolaram o corpo no que parecia um manto púrpura e nele o colocaram. Também levaram todas as amostras e provas que ainda não haviam sido guardadas por mim e levaram tudo embora, para o desencanto de Nigima.

Sem mais o que fazer, nos despedimos os três, trocando votos de um domingo mais auspicioso, calmo e sem carteiradas.  

13 - Harley Davidson Da Pesada

Ao sairmos do HC, um daqueles homens que acompanhavam Jessica começou a se aproximar de nós. Achei estranha a postura, e um alerta piscou em minha cabeça, tive pressa de entrar na SUV e sair dali tão logo fosse possível. Nada naquela estranha situação cheirava bem.

Foi então que ouvimos uma frenagem aguda próxima a nós, acompanhada do ruído de um motor em V de uma Harley pesada.  

Hum homem trajando couro, capacete pulou da moto, piscou para nós, não se de certo se para mim ou para Beatriz, e depois, começou a agredir o homem de terno preto do Vaticano. Era como se ele estivesse usando alguma arma taser, como que com miras laser. Foi uma estranha cena, com luzes estranhas, mas no final, o homem do vaticano estava estatelado nalgum lugar, e o motociclista saiu em disparada.

Naquele momento, pensando alguns pontos à frente, mandei os agentes à paisana, que apenas agora na saída percebi, seguissem o homem à distância. Depois confirmei às ordens à minha chefe, para evitar desencontro nas ordens ou intervenção deles nas investigações.

14 - Estranha Coincidências

conversa no carro com Bia, sobre Nigima, Jéssica e aparecimento no relatório secreto.

A estranha cena do necrotério estava não mais do que alguns minutos, chegamos ao prédio de Beatriz. Ela estava um tanto perplexa com algo, e eu não sabia o motivo. Achei melhor conversarmos ali mesmo, longe da possível presença de sua irmã mais nova.

Ela me disse, que um dos motivos de ter aceitado o estranho convite de me acompanhar até o necrotério se deu pelo fato do Dr. Akira Nigima apareceu nas pesquisas sobre o Arquivo Fênix, ou algo relacionado à eles. Isso me intrigou, e logo pensei na ligação que recebi do Gabriel, a ligação entre ele e Nigima, agora com o estranho arquivo faziam minha cabeça girar num turbilhão de estranha possibilidades. Um cenário estranho estava se formando, como uma pintura, não bela e frondosa e com um final feliz, mas algo sinistro, estranho e dantesco.

A linda Garota dos Gatos sugeriu de uma forma que mais pareceu um pedido, que eu dormisse ali, confesso que também não achava interessante me afastar dela, tudo estava acontecendo rápido demais, e, se houvesse uma resposta seja dos antigos donos do arquivo ou mesmo uma nova tentativa de alguém do Vaticano, seria algo rápido e contundente. Marcão brincava com muitas coisas, mas não com estas.

Resolvi ficar por ali mesmo, no AirBnB em meu nome.   Lá poderia ter acesso à ela e ficar de prontidão, caso algo estranho acontecesse.

Também passei a ela a estranha lista de nomes, e pedi, que ela averiguasse os nomes, quanto mais informações tivermos, mais rapidamente encontraremos o tal de João, e mais útil eu poderia me tornar para Gabriel, pensei. 

Me despedi da bela garota, deixando-a à porta de seu apartamento, dali em diante, uma hora de leitura e pizza me aguardavam.

15 - Top Secret: Parte 1 - Mistérios Do Passado

Era estranho não estar em meu trailer, e ainda por cima estar ali no meio da cidade, nunca ficara confortável perto de tanta gente na hora de dormir. É só por uma noite, pensei enquanto guardava a maletinha de provas na geladeira. Uma nota mental de levá-la ao laboratório no dia seguinte, somado ao sangue de Gabriel e pedir urgência no teste do estranho sangue de Jessica, se ela estivera envolvida em algum crime seu sangue estaria registrado, algo estranho cercava a requintada mulher.

A pizza não demorou muito para chegar, xinguei alto quando vi que metade dela estava inútil, o pizzaiolo havia esquecido de tirar o bacon, só me sobrara a metade de marguerita para saciar a fome de uma noite corrida e estranha.

Agora consegui sentar calmamente e ler o estranho documento entitulado Arquivo Fênix. Numa olhada rápida, entendi o motivo de Bia achar que era uma brincadeira, havia informações estranhas, um ar conspiratório em cada linha, porém, a medida que meus olhos avançavam na leitura, mais e mais eu me assustava com o que lia, agora não mais parecia uma piada, ao menos não uma de bom gosto.

Página 1

A primeira percepção fora um documento timbrado para uso confidencial do FBI.

A segunda coisa que me chamara a atenção era o estado do arquivo escaneado, parcialmente manchado de sangue, pela cor provavelmente de origem arterial, seja quem quer que fosse, sem o auxílio de um médico deve ter morrido em instantes.

Página 2

Um pouco abaixo, meus olhos pararam nas datas, entre o início e fim mais de 35 anos de caso em aberto, isso era, sem sombra de dúvidas uma anomalia. Não me lembrara de algum caso assim antes que tivera sido mantido em aberto por tanto tempo. Não nos EUA, eles não tinham a fama de serem morosos ou mesmo negligentes com os gastos de se manter casos em aberto. Então, qual seria o motivo de uma vigilância em indivíduos tão peculiares terem durado tanto tempo? A existência de uma foto ali, me deixava assustado, o que ela estaria fazendo ali. Continuei lendo o arquivo, passo-a-passo, pois sabia que saltar para aquilo que mais nos chama a atenção na maior parte das vezes nos leva a construir conclusões equivocadas, onde as provas corroboram uma teoria pré-estabelecida, e não necessariamente uma que tenha se originado da avaliação nua e crua das provas.

Página 3

Quem seria a Agente K e Temperamento Hostil, significaria o mesmo que para nós, alguém armado e considerado perigoso ao contato? O fato de ser algo tão recente e no Japão, soa demasiadamente estranho. Não é comum os EUA manter este tipo de vigilância fora de seu território. A foto não parecia alguém com estas características, porém, nada a mais era revelado neste texto.

A marca de mãos ao lado me deu uma ideia, seria possível tentar usar um scanner e tentar obter digitais ? Passaria para um especialista apenas a foto das digitais para ver se é possível compará-las na base de dados da Interpol.

O segundo nome da lista vem com foto, nome Sophia Fey e mais detalhes, mas o que era aquilo, não sei dizer.

Ao que parece, a pessoa estava disponível para contato, era algo como um informante, porém, com estranhos contatos, para poder passar informações acerca da tentativa de assassinato de um presidente estadunidense ou sequestro em regiões hostis.

A menção de que ela coopera com a Divisão 81 me chama a atenção, que raios seria issa coisa, não lembro dos estadunidenses usarem o termo Divisão para quaisquer coisas que não fossem militares ou de desenvolvimento científico, era algo específico demais. E o contato, o tal de Kaos, não parece um nome local.

4ª Prova: Marcas De Digitais no Arquivo Fênix

Página 4

Quando cheguei na parte 4, a coisa ficou ainda mais estranha, ali já tinham nomes e figuras que eu conhecia, ajeitei-me na mesa, para me concentrar, comi uma fatia de pizza, agora já fria. E li com cuidado a foto do estranho homem que vi parado próximo à entrada do Bistrô na Liberdade.

No início da página, aquela figura, ali nomeada como Anomalia Rizzo, caracterizada como Arisca e cuja vigilância constava como Ativa. Agora olhando o arquivo demoradamente, tenho certeza de tê-lo visto hoje a noite. O que ele estaria fazendo ali, se era aliado ou inimigo de Gabriel, ainda não sei dizer. 

A segunda foto da página me fez estremecer dos pés à cabeça, conhecia aquele olhar, mais velho e mais sábio, mas o conhecia, e agora, quando comparo ao da jovem da foto no Teatro Municipal, uma pontada de incerteza surgiu em minha mente. Não era possível, será algum tipo de clone, não haveria outra informação, a mulher da foto no arquivo era sua mãe e era idêntica a mulher que entrara no Municipal no dia do ataque terrorista.

A data, combina com a suposta aparência que sua mãe teria. Ela não gostava de tirar fotos, mas seu rosto estava gravado em sua mente, e a lembrança deste mesmo rosto comparado pela Interpol à jovem e o DNA: clone, sem sombra de dúvidas.

Agora, o que sua mãe estaria fazendo num arquivo do FBI? Ainda mais, junto com outras pessoas tão estranhas ? Não conseguia imaginar um motivo, talvez algo ligado à seu pai, que ela raramente comentava à respeito, embora a tristeza em seu olhar fosse grande quando eu questionava por ele.

A última foto da página revela uma mulher toda tatuada, de beleza estonteante, embora exótica. 

Página 5

Nas últimas páginas, o que fora revelado é demasiadamente estranho.

A menção de dois gêmeos, de nome Takahashi, sem maiores informações.

Na última foto no arquivo informações além do estranho, aparentemente o último ativo investigado era hostil, anterior à criação da CIA e já tinha outras aparições na história. Aparentemente uma tal Sociedade Arkan estava envolvida na investigação, mas o documento estava borrado demais para extrair alguma informação útil e não tão grotesca.

Me levanto e caminho de um lado para o outro, guardo o que sobrou da pizza vegetariana. Levo a outra metade para o guarda na guarita do prédio, ele possivelmente fará melhor uso do que o lixo.

Minha cabeça gira, o cansado de uma jornada de trabalho, somada ao stress da estranha noite, findando ao ler as informações acerca de sua mãe são demais para ele. É melhor dormir, algumas horas de sono vão melhorar sua visão daquilo tudo.

Amanhã tinha que ir no escritório secreto da ABIN, levar provas para serem analisadas, quem sabe, algo ali ajudaria a lucidar o que estava acontecendo. 

Antes de pegar no sono, lembrou de sua mãe, das viagens e o último pensamento que teve fora o esmagador sentimento de saudade à lhe apertar o peito.