Descendente dos imigrantes de outrora, Akira cresceu numa família tão tradicional quanto ela conseguiria ser aqui no Brasil, seus pais ocasionalmente fazia viagens para o Japão mas ele nunca os acompanhou nessas viagens. Esse era, inclusive, um dos desejos-mor de seu pai, que sonhava com o filho ficando adulto e os levando a todos para morarem lá, vivenciando os costumes de que tanto derivavam aqueles que eles experenciavam agora.

Não que morar no famoso bairro da Liberdade não proporcionasse isso, mas na mente de Shinjiro, só se poderia vivenciar sua cultura DE VERDADE se fosse no Japão. Já Akira gostava bastante do Brasil e sua irmã Mayumi compartilhava de sua opinião, mesmo sendo mais nova, ela adorava as oportunidades que o Brasil oferecia para as mulheres em vista do como sua mãe, por exemplo, fora criada e se portava. 

Durante sua infância e até próximo do final de sua adolescência, quando com 16 anos, Akira perdeu sua mãe de maneira relativamente misteriosa, ou pelo menos assim dizia seu pai. O garoto pouco se lembra desse período - provavelmente por ter recalcado a maioria dos acontecimentos no seu inconsciente- mas algo que se manteve fixo na sua memória era que ela ficou doente antes de falecer, ela desejava sair de casa e fazer tratamento, mas seu pai de alguma maneira era contra, ele dizia que só se deveria fazer tal tratamento no Japão, que eles iriam juntos e etc, posteriormente, Sanae passou um tempo desaparecida, só sendo encontrada já morta. Seu pai foi o único a vê-la pela ultima vez e a resposta para os filhos fora sempre de que “A causa foi desconhecida”.

Isso fez com que Shinjiro ficasse ainda mais fechado em si mesmo, se tornando muito mais rigoroso e determinado a sair desse pais. Em Akira o efeito foi o oposto, ele se lembra da mãe doente e mesmo sem saber o que ela tinha, ele sabia que ela deveria se tratar aqui mesmo, e esse fato desenvolveu nele o desejo de estudar medicina e se desenvolver na área de psiquiatria para, quem sabe, encontrar formas de ajudar quaisquer outras pessoas que passassem pelo que sua mãe passou. 

Seu pai ficou extremamente satisfeito com isso, e na formatura do filho, deu-lhe um anel de presente, mas essa foi a ultima vez que se falaram, pois quando Akira demonstrou falta de interesse em se desenvolver nessa especialidade, ou ser um “cirurgião” famoso, Shinjiro começou a ignora-lo e ter isso como uma afronta e um desrespeito. Sua irmã por outro lado, muito contente por ele, deu-lhe de presente uma caneta tinteiro que Akira usa em todas as suas anotações, ou quando está resolvendo seus enigmas e charadas de um livrinho qualquer que tenha comprado

Posteriormente, o agora médico desenvolveu-se ainda mais na medicina mas escolheu o caminho de um cirurgião legista, dada as circunstancias desconhecidas da morte da sua mãe, Akira mais uma vez acreditou que assim conseguiria fazer a diferença, sendo tão bom em sua área que não haveriam mortes que ele não saberia determinar. Nesse ponto, Akira se mudou para o bairro de Perdizes, próximo a Barra Funda, e reside lá em uma apartamento desde então. Reservado e solitário, Akira costuma receber com frequência a visita da irmã que, por medo da saúde do pai se debilitar, decidiu continuar morando com ele para ampara-lo.

Por fim, Akira Nijima ajuda sua família, tenta se aproximar do turrão do seu pai e, secretamente, continua desejando compreender o que aconteceu com sua mãe.